Entrevista com Lívia Pessoa.

A entrevistada de hoje é a jornalista e escritora piauiense Lívia Pessoa. Comentarista assídua de política, recentemente foi contratada pela TV Cidade Verde, mas já trabalhou em diversos veículos de comunicação abordando o tema que mais gosta: política. Nossa entrevistada também possui veias artísticas e já publicou várias crônicas de sua autoria, cujos trechos podem ser encontrados em seu perfil no Instagram. Lívia demonstra de forma explícita sua paixão pela escrita e é autora de Catarse, seu primeiro livro, publicado aos 17 anos. A jornalista marca presença nas redes sociais, sempre mostrando os bastidores das coberturas políticas, suas opiniões sobre temas atuais e sua rotina profissional. Vale a pena acompanhá-la! Na entrevista concedida ao blog, Lívia Pessoa compartilhou um pouco sobre suas experiências no meio jornalístico, explicou por que escolheu a profissão, falou sobre sua carreira como escritora e deu conselhos para aqueles que querem seguir na área.
Iniciei a entrevista perguntando à Lívia o que a levou a escolher o jornalismo como profissão. Ela nos disse que queria mudar o mundo e que encontrou na comunicação o grande amor da sua vida: "Por mais clichê que seja, eu queria mudar o mundo, e minha voz sempre foi minha ferramenta para isso. Desde muito nova, eu era muito opinativa, inquieta, questionadora e com vontade de fazer algo. Vi na comunicação o grande amor da minha vida e percebi que, através dela, eu poderia até não mudar o mundo, mas iria conhecer milhares de histórias, analisar situações e transformar ao menos a percepção de alguém. Posso até não salvar o mundo, mas a comunicação me salva diariamente." 

- Em 2021 você teve a oportunidade de aprender um pouco mais sobre jornalismo com Natuza Nery e Andréia Sadi, nomes renomados na área. Hoje, eu faço a mesma pergunta que você direcionou a ambas na ocasião: Como você lida com o ambiente político sendo uma jornalista? Afinal, sabemos que o jornalismo político tende a ser majoritariamente masculino:
"Amadurecer enquanto profissional foi consequência de amadurecer enquanto pessoa. Você “cria casca”. O jornalismo e, principalmente, a política são ambientes muito machistas, nos quais estamos sempre propensas a sermos desqualificadas, ignoradas ou objetificadas. Exige coragem para dizer não, firmeza na imposição de limites constantemente ultrapassados e, claro, a não relativização de qualquer violência ou assédio. Esse tipo de situação, infelizmente, tem grandes chances de acontecer com todas nós, repórteres mulheres, e, para isso, precisamos estar preparadas e acolher umas às outras. E para aqueles que se utilizaram do meu gênero como uma forma de me reduzir em capacidade, trato de responder com resultados.

Perguntei à Lívia o que ela diria para convencer alguém a adentrar nessa carreira que é tão linda e difícil ao mesmo tempo. A jornalista respondeu de forma clara que, se fosse preciso convencer alguém a atuar na área, talvez não fosse o caminho certo para essa pessoa. Confira o trecho da resposta da entrevistada: " Se eu precisasse convencer, já seria um sinal de que talvez não seja o caminho certo para aquela pessoa. Jornalismo é um ato quase que vocacional, pelo menos o jornalismo que eu defendo. Exige, e exige muito. Ser jornalista é ser curioso, estar em movimento, ligar para fontes, insistir mesmo que sem resposta, perder feriados, ler e ler muito, estudar e estudar muito. O jornalismo, ao meu ver, é uma das profissões mais lindas do mundo: é usar a palavra como ferramenta para mudar vidas, conscientizar, analisar, criticar e celebrar o que muitas vezes passaria despercebido. Para os que estão iniciando: tenham gana, respirem fundo quando as coisas derem errado e tentem de novo."

Lívia Pessoa pode ser dividida em duas facetas: jornalista e escritora. Por isso, não perdi a oportunidade de perguntar a ela sobre seu primeiro livro publicado, e ela compartilhou um pouco sobre a experiência de ser escritora.
Foi avassalador. Lancei meu primeiro livro aos 17 anos, saindo da escola e tentando ainda entender sobre mim e sobre a vida. *Catarse*, meu primeiro livro, foi essencial nesse processo. As dificuldades foram se transformando ao longo do tempo. Hoje, tento entender como conciliar as duas “Lívias”, a escritora e a jornalista. Ambas me construíram, mas representam faces diferentes da vida para mim."

 - Lívia, o que você diria para você mesma no estágios iniciais da sua carreira como jornalista? O que te tornou a profissional que você é hoje?
" Diria um objetivo: calma! Não me arrependo de nenhum passo dado, nem de cada tijolinho que venho construindo enquanto profissional, mas, claro, existiram situações que poderia ter lidado melhor. Muitas vezes é entender que não somos perfeitos, que o objetivo é errar menos e não errar novamente.O que me tornou a profissional que sou hoje é entender que ainda não sou quem gostaria de ser. Profissionalmente, seremos sempre uma peça inacabada, por isso é uma dedicação constante e contínua de ser melhor do que fui ontem."
 
Indaguei a jornalista sobre momentos cruciais em sua carreira ou que a marcaram de alguma forma como profissional. Ela compartilhou dois momentos importantes que ficaram gravados em sua memória.
" Existiram muitos, mas, em relação ao jornalismo político, tiveram dois que guardo com carinho: a cobertura das eleições de 2022, enquanto estava como repórter do GP1, em que foi um dia super intenso, corrido e no qual todos os jornalistas deram 100% de si para entregar o melhor conteúdo. Foi um dos melhores dias de trabalho para mim, que sou repórter de campo por natureza e amo a correria. O segundo foi quando marquei minha primeira entrevista com o ex-senador Elmano Férrer. Estava há pouquíssimo tempo na área e, naturalmente, muitos não sabiam quem eu era, por isso não respondiam às minhas mensagens. No entanto, o ex-senador foi extremamente gentil, respondeu a todas as minhas perguntas e rendeu um dos meus primeiros “furos”, com a possibilidade de ele se lançar como vereador nesta eleição, o que ocorreu de fato." A partir da resposta de Lívia, é possível perceber que nem tudo foi fácil no início de sua carreira e que ela teve que batalhar por seu espaço no jornalismo e na política. De fato, ela é uma inspiração para os entusiastas que desejam ser jornalistas bem-sucedidos, assim como ela.
    

 - Para finalizar, quais são os pilares básicos que todo jornalista político deve ter para ser um profissional exemplar?
 "Responsabilidade com a informação, pensar rápido e ouvir a todos. Muitas vezes, o “furo” político pode ser uma grande casca de banana, então sempre cheque 30 vezes antes de soltar alguma notícia, seja bastidor ou oficial. Agilidade é importante, mas a credibilidade é construída quando se tem responsabilidade com o que é transmitido. "


Dedicatória da autora desse blog à jornalista e escritora Lívia Pessoa:
Sou suspeita para falar dessa profissional incrível que é Lívia Pessoa. Tenho um carinho enorme por essa veterana, que sempre foi tão gentil comigo e solícita em me ajudar em todas as situações que precisei, mesmo que eu pergunte demais às vezes. Após essa entrevista, minha admiração por Lívia como profissional apenas cresceu, e espero ser uma jornalista tão competente quanto ela em um futuro próximo. Lívia, você é gigante e uma mentora incrível! Obrigada por todos os conselhos e por me acolher tão bem todas as vezes que precisei.

Agora, me dirijo a você, meu caro leitor. Espero que tenha sido uma leitura divertida e significativa. Seja gentil, porque ainda sou iniciante nessa coisa de ser 'jornalista'. O meu abraço mais caloroso a você, meu fiel leitor!

Atenciosamente,
Maria Albuquerque.
 

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